Como vou ter certeza que meus colaboradores vão querer participar? E se ninguém contar uma história?
Não é possível ter esta certeza.
Também não é possível garantir que as pessoas vão se interessar por uma palestra e não vão dormir na metade dela ou garantir que, em uma dinâmica de grupo, as pessoas estarão motivadas e contribuirão para o andamento do trabalho.
Existe o risco de não termos histórias e, sem esta "matéria prima", não poderia haver o espetáculo.
Evidentemente somos profissionais e, para fazer face a este risco - ainda que pequeno- dispomos de técnicas importantes. Por ex.:
warm up
utilizadas no início do espetáculo, aquecendo a platéia para a dramaturgia (que é a parte em que ela colabora para a construção do espetáculo);
direção do espetáculo
fazendo com que a companhia estabeleça um jogo interessante com a platéia, criando um clima de confiança para que as histórias possam ser contadas.
Todo mundo conta sua história?
Não, por não haver tempo suficiente. As histórias podem ser recriadas no palco de várias formas. Na primeira parte do espetáculo, as histórias são recriadas de uma forma bastante dinâmica, a título de aquecimento e de demonstração para a platéia que a única utilização que se faz é dar um tratamento artístico para as histórias. Em uma hora e meia de duração do espetáculo, temos reproduzido em média 6 histórias, sendo três delas de uma forma bastante completa.
A experiência com este tipo de teatro têm nos demonstrado frequentemente que as histórias narradas e recriadas são representativas daquela platéia naquele momento.
Isto confirma nossa crença de que a vida nos é comum e, na imensa maioria das vezes, interessante.
Já nos apresentamos para platéias de 7 a 2.500 pessoas! E a vida tem se mostrado interessante a ponto de fixar a atenção de praticamente todos durante o espetáculo e criar um ambiente de certa forma "intimista" que propicia a beleza.
Pode ser feito em qualquer lugar?
A produção de um espetáculo de playback theatre é extremamente simples, assim como é simples a sua estrutura. É possível que em alguns ambientes seja necessário alguma amplificação de som ou iluminação mas esta não é a regra geral. Geralmente, para uma platéia de 30 a 50 pessoas, nós temos nos apresentado em auditórios ou salas de treinamento mesmo, utilizando-nos tão somente de nossos instrumentos musicais e peças do camarim. Por exemplo: é raro precisarmos de um palco para trabalhar. Preferimos ficar bem próximos da platéia.
Aliás, este é o principal objetivo: tornar pública (publicar) as experiências que as pessoas tem, em forma de arte. Porque acreditamos que podemos aprender uns com as histórias dos outros.
O que nós fazemos é dar-lhes tratamento artístico para que fiquem gravadas em toda a platéia.
Por outro lado, não expõe "muito" e da forma pejorativa como a pergunta pode deixar transparecer. Já fizemos mais de 800 espetáculos (cerca de 2400 histórias). Cada uma delas foi tratada com o respeito que a vida de alguém merece.
E virtualmente todos nossos narradores nos são agradecidos por isto (pergunte a algum que você, por ventura, venha a conhecer).
O grande risco é expor a vida de alguém a uma pessoa
Como vocês podem garantir um resultado favorável se não há nenhum script prévio?
Peça sem ensaio prévio ou roteiro? Como posso comprar algo tão incerto e desconhecido se não tenho certeza que vai funcionar?
Você pode planejar um belo churrasco com seus colaboradores e a carne pode ficar dura ou queimar...
Podemos entrar em contato, informando sobre nossas experiências com esta técnica teatral e conversar sobre fatores particulares do espetáculo desejado em sua empresa.
Em que momento do treinamento você acha mais adequado entrar com o Playback?
Naquele que for mais propício ao objetivo pretendido.
Podemos abrir um evento com o objetivo de instigar a curiosidade para o tema a ser tratado. Contar histórias a respeito do tema (e vê-las recriadas no palco a seguir) é uma forma muito interessante de criar curiosidade e aferir o conceito existente na platéia.
Também podemos encerrar um evento verificando, ao final, quais histórias o tema suscitou na platéia (e, com isto, ter uma certa avaliação do que ficou mais forte no que diz respeito ao tema tratado).
Uma experiência interessante foi o dia em que fomos contratados para fazer um espetáculo logo após o almoço. Depois de uma manhã inteira de palestras, com as pessoas assistindo de uma forma bastante passiva, o espetáculo tinha os objetivos de:
acordar todo mundo
preparar as pessoas para a parte da tarde, onde as tarefas exigiriam uma participação mais ativa.
Nosso espetáculo funcionou para os dois objetivos.
Não pode ser menos de uma hora e meia de espetáculo?
Nós nunca conseguimos saber como vai ser um espetáculo.
Em função da própria característica de nosso trabalho (o script nos é dado no momento do espetáculo) nós sabemos como foi o espetáculo, ao término deste.
Esta imprevisibilidade inerente ao nosso trabalho, precisa de cuidado e tempo porque as histórias narradas serão histórias da vida das pessoas da platéia. Elas poderão ser cômicas, trágicas, épicas, aventureiras, enfim, diversas como diversa é a própria vida. Elas precisam de tempo para serem recriadas no palco. Elas precisam de tempo para conversarem umas com as outras formando uma colcha de retalhos bastante rica e interessante a cada espetáculo.
As poucas tentativas que fizemos, no início, para fazer o espetáculo em um tempo menor do que este trouxeram como resultado final um comprometimento da qualidade de nosso trabalho.
É possível misturar vários setores da empresa num mesmo espetáculo (por ex.: diretores e pessoal operacional?)
Sim, se desejado. A diversidade na platéia produz histórias de muita qualidade estética. Histórias à espera de um momento para serem contadas e servir de aprendizado para muitas outras pessoas.
A vida tem nos ensinado que ela (a vida) nos é comum. E emocionante na maior parte das vezes.
Vocês tem um vídeo de um espetáculo para que possamos ver o trabalho?
Infelizmente não. Nossas tentativas não surtiram o resultado desejado. Como nosso trabalho é uma improvisação teatral, nós não temos marcações prévias, lugares pré-definidos, onde quem filma poderia prever ângulos interessantes.
Assim, os filmes que conseguimos fazer foram bastante propícios para nossos estudos e análises de cena. Mas impróprios para qualquer outra utilidade.
Além disto, existe envolvida uma questão ética muito interessante. Como transformamos a vida em arte, nosso script sempre é narrado por alguém que viveu aquilo que vamos encenar. Por isso:
não fazemos filmes dos espetáculos;
os poucos feitos são para registro histórico de nosso cliente e pedimos para não registrar o narrador a fim de manter a confidencialidade para o público em geral;
por uma razão ética, não tornamos público o nosso trabalho na Internet.
Enfim, os direitos autorais pertencem à pessoa que nos "confidenciou" uma parte de sua vida. Não poderíamos divulgá-la sem sermos desrespeitosos...
Para poder mostrar nosso método de trabalho, fazemos espetáculos de demonstração regularmente em nosso atelier. Verifique nossa agenda e inscreva sua empresa.